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CPI do Brasil Leer artículo C. Buarque y la resignificación de la palabra La educación como factor de cambio

CPI do Brasil
por Cristovam Buarque

A CPI dos Correios já produziu um resultado concreto: desmoralizou a coerência dos políticos. Os que eram contrários a CPIs até 2002 são favoráveis a elas desde 2003. Aqueles que se opunham antes são a favor agora. Ainda é cedo para saber se ela vai inocentar ou não o governo. Mas já sabemos que o povo continuará sendo ignorado e sairá perdendo, qualquer que seja o resultado. Se houver CPI, saberemos se parte dos recursos dos Correios foi para o bolso de algum dirigente da empresa. Porém, não vamos calcular que parcela dos recursos públicos é regularmente desviada para atender aos interesses das camadas privilegiadas.

Criamos CPIs para investigar roubalheiras de políticos e funcionários, mas não fazemos uma CPI da roubalheira implícita nas prioridades das políticas públicas. Não fazemos uma CPI da concentração de renda: que políticas, leis, medidas, ao longo da história, desviaram dinheiro destinado à maioria para a minoria, e fizeram do Brasil um dos países mais desiguais e injustos do mundo.

Não fazemos uma CPI da educação básica: porque e como o Brasil abandonou a educação de seu povo e comprometeu seu futuro. Não fazemos uma CPI da pobreza e da exclusão social: quais políticas públicas impedem que o crescimento econômico se espalhe no Brasil, e deixe de chegar a 70 milhões de brasileiros que permanecem na miséria, excluídos de todas as vantagens do progresso.

Não fazemos uma CPI da desigualdade regional: o que criou um desenvolvimento regional desigual, que acentua a diferença na qualidade de vida entre as nossas  Regiões. Não fazemos uma CPI das cidades: o que forçou a migração brusca dos campos às cidades, e provocou uma explosão demográfica que transformou nossas grandes cidades em verdadeiros caos urbanos.

Não fazemos uma CPI da ecologia: quem são os responsáveis pelo crime hediondo de queimar a Amazônia, sujar nossas águas, poluir o ar de nossas cidades. Não fazemos a CPI da infância abandonada: porque, como e quem são os culpados pela existência de crianças na rua,  cometendo infrações, trabalhando precocemente, exploradas sexualmente.

Não fazemos uma CPI de toda a corrupção: o que fez de nós um país com tantos corruptos, com tanto desrespeito ao público, sem solidariedade, sem patriotismo, onde Estado e povo são constantemente roubados, para o favorecimento de interesses pessoais.

Não fazemos uma CPI do Brasil: por que um dos países mais promissores do Terceiro Mundo, em 1970, chegou ao século XXI superado por dezenas de outros, em termos de desenvolvimento e igualdade.

Não fazemos uma CPI do orçamento: mais uma vez, cada parlamentar brasileiro receberá uma proposta orçamentária para 2006 de cada cidade, Estado e da União, e assistirá passivamente o desvio das verbas públicas para atender aos interesses dos setores organizados, dos grupos já privilegiados, das demandas do momento presente, sem levar em conta as necessidades do povo, do Brasil, do futuro.

O orçamento é o centro maior da corrupção nas prioridades da União. Cerca de 4,3% vão para o pagamento de juros, 3,15% para superávit, e apenas 1,6% se destinam às ações de universalização e melhoria da educação que realizar as transformações de que o Brasil tanto precisa.  Esse é o maior dos desvios, realizado legalmente, com a aprovação do Congresso.

* Professor da Universidade de Brasília, Senador pelo PT / DF.
 
www.cristovam.com.br / cristovam@senador.gov.br

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