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A Importância do
Tribunal Penal Internacional
Valerio de Oliveira
Mazzuoli |
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Informe oficial sobre actividade
en dos años del gobierno del
Presidente Lula en America del
Sur, Mercosur, Cuba, Alca y la C.S.N |
Informe oficial de la Secretaria de planiamiento diplomático
(ministerio de Relaciones exteriores de Brasil) sobre
actividades en dos años del gobierno del Presidente Lula en
America del Sur, Mercosur, Cuba, Alca y la Comunidad
Sudamericana de Naciones
El Informe que presentamos a
vuestra consideración es, no sólo la visualización de dos años
de gobierno de un país hermano, como es el caso del Brasil sino
y especialmente, una manera ilustrada y documentada de ampliar
nuestra mirada más allá de las fronteras que el hombre crea.
Es así que este documento, sobre
América del Sur, MERCOSUR y el ALCA elaborado por el Ministerio
de Relaciones Exteriores de la República Federativa del Brasil,
más conocido por Itamarati, es parte de un análisis que presenta,
a lo largo de 61 páginas y dividido en ocho partes, el hacer del
gobierno que preside el señor Inácio Lula da Silva.
Tomar conocimiento del mismo
conlleva, de ahí el interés de La ONDA digital en presentárselos,
antes que una toma de posición a favor o en contra de quien lo
elabora, o bien de lo que el mismo representa, el vehículo para
que los habitantes de la región sepamos más de aquello que no
sólo nos rodea, que está en nuestra circunstancia de vida,
cercana o lejana pero está, sino también, y especialmente, cómo
esta región, nuestra América del Sur, tiene sentido como unidad
territorial, en el respeto y armonía de convivencia en las
diversidades de los pueblos que la integran.
Somos, como dijera una vez
José Gervasio Artigas, los americanos del Sur, y tal
carácter, que va más allá de un sentir, de algo meramente
desiderativo –aunque válido, convengamos- un cuerpo variopinto,
un crisol de gentes con un destino común.
En tal carácter, en cuanto al
destino común, esta pieza que hoy les presentamos, y que fuera
expuesta a la consideración pública en febrero del presente año,
es, lo reiteramos, un instrumento idóneo y propiciador de un
conocimiento entre nosotros, los americanos del Sur, a todas
luces, interesante y necesario para la convergencia tanto en
información de los pasos dados y a dar bien como en la
comparación de acciones e inacciones de unos y otros en pos de
objetivos que entendemos deben ser comunes: la integración de
sus pueblos y el desarrollo social de nuestras gentes en un
plano de igualdad de oportunidades cuyo basamento sea la
dignidad que dé sustento a la idea que América tiene algo que
decir y dar al mundo, en el sentido de lo humano, en el sentido
de lo trascendente que el hombre y la mujer de a pie pueden
aportar al común esfuerzo de mantener erguido al ser humano,
toda vez que le sea dado, y se permita por vía del propio
esfuerzo y la propia responsabilidad social que a cada uno cabe,
la oportunidad de dignificar a la persona.
Por ello, pues, tomar contacto
con lo dicho en estas palabras, en sus diferentes partes,
dimensiones y espacialidades, va en el sentido de aproximarnos
en una comprensión indispensable para mejores logros en los
diversos procesos de integración en curso.
De su lectura, y de vuestras
reflexiones, como es habitual, quedamos abiertos a una
comunicación mayor.
Informe
Primeiros dois anos
No biênio 2003-2004, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
manteve intensa agenda de visitas na América do Sul, conforme a
prioridade atribuída à integração continental e ao
relacionamento com os países vizinhos. O Governo empenhou-se de
maneira ativa para a construção de uma América do Sul
politicamente estável, próspera e unida, com base nos ideais
democráticos e de justiça social. A intensificação das relações
de cooperação com nossos vizinhos fez-se acompanhar de passos
concretos no sentido do fortalecimento do diálogo e da
coordenação política, da integração econômica e comercial e da
integração da infra-estrutura física de transportes, energia e
comunicações. A construção de uma identidade política
sul-americana passou, também, pelo fortalecimento do MERCOSUL e
dos vínculos políticos, econômicos, comerciais e institucionais
do MERCOSUL com a Comunidade Andina.
ARGENTINA
Durante os primeiros dois anos do Governo Lula,
intensificaram-se os contatos com a Argentina. À estreita
cooperação entre ambos os países — marcada por uma convergência
de visões quanto à prioridade do MERCOSUL e da aliança
estratégica entre o Brasil e a Argentina — veio somar-se a
recuperação do crescimento das duas economias. O comércio
recupera rapidamente os níveis anteriores às crises financeiras
do final dos anos 90 (as exportações brasileiras para a
Argentina devem registrar um recorde histórico, em 2004) e as
iniciativas promovidas nos diversos encontros entre autoridades
dos dois países estabeleceram um ambiente político propício à
retomada de grandes projetos.
Logo no início de seu mandato, em
14 de janeiro de 2003, o Presidente Lula recebeu o então
Presidente argentino, Eduardo Duhalde, e com ele estabeleceu um
ambicioso programa de trabalho: criou-se o Instituto Social
Brasil-Argentina, foro para a troca de experiências sobre
iniciativas na área social, delinearam-se metas para a retomada
de obras de infra-estrutura e iniciou-se o debate com vistas à
futura criação de um Parlamento do MERCOSUL.
Após as eleições presidenciais no país vizinho, os contatos com
o novo Governo iniciaram-se com a visita a Brasília do Chanceler
Rafael Bielsa, apenas quatro dias após a posse. O encontro
serviu para preparar a primeira visita ao exterior do Presidente
Néstor Kirchner, em 11 de junho de 2003. Além de ratificarem os
compromissos assumidos em janeiro de 2003, os Presidentes Lula e
Kirchner estabeleceram as prioridades que norteariam esses dois
anos de cooperação:
reafirmaram o compromisso de seus países com a
democracia e a inclusão social, deram maior respaldo à coesão do
MERCOSUL em suas negociações externas e determinaram que se
desse seguimento à cooperação nas áreas social, energética, de
segurança e defesa.
Particularmente produtiva foi a visita de Estado
do Presidente Lula à Argentina, em 16 de dezembro de 2003. Na
ocasião,
os
mandatários de ambos os países assinaram, entre outros
instrumentos, o Acordo de Cooperação entre Autoridades de Defesa
da Concorrência na Aplicação das Leis de Concorrência e o Acordo
que Modifica o Acordo de Facilitação de Atividades Empresariais;
criaram a Comissão de Monitoramento do Comércio Bilateral, que
constitui foro fundamental para o exame e solução de questões
comerciais; lançaram as bases da colaboração e trabalho conjunto
no âmbito do Conselho de Segurança das Nações Unidas; e
assinaram o Consenso de Buenos Aires, declaração de valores
pelos quais ambos os Governos pretendem pautar suas condutas na
adoção de políticas internas e na condução de seus negócios
exteriores.
O Presidente Kirchner tornou a
visitar o Brasil em 16 de março de 2004. Na ocasião,
Assinaram-se a Ata de Copacabana e a
Declaração sobre a Cooperação
para o Crescimento Econômico com Eqüidade. Os Presidentes
determinaram a realização de experiências-piloto de consulados
conjuntos em Hamburgo e Boston; concordaram em
concretizar uma primeira missão espacial conjunta; determinaram
a negociação do Acordo de Comunidades Fronteiriças;
estabeleceram o Dia da Amizade Argentino-Brasileira e criaram o
Prêmio Binacional das Artes e da Cultura, a ser entregue nessa
ocasião.
PARAGUAI
No biênio 2003-2004, o Presidente Lula viajou três vezes ao
Paraguai, e recebeu o Presidente Nicanor Duarte três vezes. Os
dois mandatários encontraram-se, em 2004, em Guadalajara e São
Paulo, à margem de encontros internacionais.
No
âmbito do Legislativo, o Presidente do Congresso paraguaio
visitou Brasília para encontrar-se com parlamentares
brasileiros.
A Câmara de Deputados paraguaia aprovou, em
2/9/04, a criação da Comissão Parlamentar de Amizade com
a República do Brasil
O Brasil prestou auxílio durante
a crise política enfrentada pelo Governo González Macchi, em
2003 e enviou urnas eletrônicas que foram utilizadas na eleição
presidencial.
O Governo Lula procurou
estabelecer maior coordenação entre as autoridades paraguaias
envolvidas no combate aos ilícitos transnacionais e os órgãos
brasileiros correspondentes. Atualmente, está em negociação um
Memorando de Entendimento para o estabelecimento de um Grupo
Bilateral de Inteligência Brasil-Paraguai na Esfera de Pirataria
e Falsificação.
Ao Brasil interessa promover a
estabilidade social, política e econômica do Paraguai. Nesse
sentido, o Brasil procura adotar medidas para facilitar a
integração das cadeias produtivas do país vizinho com as
brasileiras.
Vários projetos de cooperação
foram estabelecidos nas áreas social, de saúde e
desenvolvimento. Em 27/9/03, inaugurou-se o Centro de Formação e
Capacitação Profissional em Hernandárias, o maior projeto
brasileiro de cooperação técnica desenvolvido na América Latina.
Em 14/10/03, foi assinado o Ajuste Complementar ao Acordo de
Cooperação Técnica para a implementação do projeto "Assistência
e Tratamento a Pessoas vivendo com HIV/AIDS". Em 31/03/04, foi
assinado o Protocolo de Intenções sobre Cooperação
Técnica na Área do Desenvolvimento Agrário.
Grande impulso foi dado aos projetos de integração física com a
assinatura do Memorando de Entendimento para a Construção da
Segunda Ponte sobre o Rio Paraná. Está para ser concluído
convênio que repassa US$ 30.000 da Itaipu Binacional ao
Ministério dos Transportes (DNIT) para a execução dos estudos
preliminares da obra. No Orçamento de 2005 daquele Ministério
está prevista a liberação de R$800.000,00 reais para o
financiamento dos estudos de viabilidade técnica da
ponte. O BNDES encaminhou proposta de Acordo-Quadro para o
financiamento de obras de infra-estrutura no Paraguai.
Entre os projetos previstos, estão o da Ponte entre Porto
Murtinho e Carmelo Peralta e a construção e pavimentação do
trecho rodoviário entre Carmelo Peralta e Loma Plata, além da
expansão da Ruta 10, ora em fase final de construção.
O Congresso Nacional aprovou o
Projeto de Lei 78/04 que cria Fundo, no total de
R$20.000.000,00, a ser utilizado em projetos na área social, na
correção de desequilíbrios regionais, bem como na modernização
da administração tributária do Paraguai.
CHILE
Nos primeiros dois anos do Governo Lula, registrou-se ampla
coordenação entre Brasil e Chile, como o demonstram as viagens
presidenciais realizadas: uma visita do Presidente eleito a
Santiago, em 03/12/2002, e duas visitas oficiais nos primeiros
dois anos, a primeira em 19 de agosto de 2003, com a vinda do
Presidente da República do Chile, Ricardo Lagos Escobar, ao
Brasil, e a segunda em 23 e 24 de agosto de 2004, com a ida ao
Chile do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A coordenação entre os dois
países tem-se reafirmado em alguns contextos importantes, como
nas Nações Unidas, especialmente no Conselho de Segurança, onde
Brasil e Chile ocuparam assentos como membros não-permanentes
durante o ano de 2004. No Haiti, onde os esforços da ONU são
liderados por um brasileiro no plano militar e por um chileno na
área civil. O Presidente Lagos associou-se à iniciativa de “Ação
Contra a Fome e a Pobreza” e participou ativamente da reunião de
líderes mundiais, em 20 de setembro, em Nova York. Cabe destacar
a cooperação Brasil-Chile na Organização Mundial do Comércio,
onde a atuação do G-20 tem contado com a firme participação
chilena.
No Comunicado Conjunto, divulgado
ao fim da visita do Presidente Lagos ao Brasil, o Chile
reconheceu o legítimo interesse do Brasil em integrar o Conselho
de Segurança das Nações Unidas como membro permanente. A visita
foi considerada pelo mandatário chileno como “importantíssimo
ponto de inflexão” nas relações bilaterais. Na mesma época, a
Chanceler Soledad Alvear ressaltou a importância da convergência
de pontos de vista e a urgência da aproximação entre os dois
Países.
A
visita do Presidente Lula ao Chile, em 23 e 24 de agosto de
2004, deu continuidade aos estreitos contatos entre os dois
mandatários. Na ocasião, foram assinados cinco instrumentos:
Declaração Conjunta, Plano de Ação Conjunta, Memorando de
Entendimento para a Promoção do Comércio e Investimentos,
Memorando de Entendimento entre o Ministério de Desenvolvimento
Social e Combate à Fome e o Ministério de Planejamento e
Cooperação do Chile; Memorando de Entendimento entre a Embrapa e
o Inia (Instituto de Investigaciones Agropecuarias). No Plano de
Ação Conjunta, assumiu-se
o compromisso de impulsionar ações em diversas áreas, como
comércio, meio ambiente, planejamento, turismo, cultura, ciência
e tecnologia.
Importantes eventos ocorreram
durante a visita, dentre os quais podem ser citados, na área
social, o encontro do Presidente Lula com famílias participantes
do programa “Chile Solidário” e a realização de Seminário sobre
Políticas de Erradicação da Extrema Pobreza no Brasil e no
Chile. Na área empresarial, realizou-se o seminário “Como fazer
negócios com o Brasil”, que contou com a participação do
Presidente Lula.
A
visita do Presidente Lula a Santiago propiciou a emergência de
novos elementos facilitadores do diálogo bilateral: o projeto de
constituição
de uma comunidade sul-americana de Nações constou
expressamente do Comunicado Conjunto da visita. O apoio à
aspiração brasileira a um assento permanente no Conselho de
Segurança foi explicitado de modo mais enfático do que antes.
URUGUAI
As relações do Brasil com o Uruguai nos dois primeiros anos do
Governo Lula foram marcadas pelo espírito de cooperação
correspondentes à condição de países vizinhos e sócios no
MERCOSUL. Em 12 de maio de 2003, o Presidente Jorge Batlle
realizou visita de trabalho ao Brasil na qual os dois
Presidentes divulgaram um Comunicado Conjunto que indicou
parâmetros do relacionamento bilateral e assinalou convergências
na agenda multilateral. Além de diversos contatos em reuniões
multilaterais, os Presidentes Lula e Jorge Battle mantiveram
encontro à margem da XI UNCTAD (São Paulo, 14.06.2004).
Foi muito expressivo nas relações
Brasil-Uruguai o recente fortalecimento da cooperação
fronteiriça, identificada como modelo a ser seguido pelo Brasil
nas relações com outros vizinhos. A entrada em vigor do Acordo
para Permissão de Residência, Estudo e Trabalho a Nacionais
Fronteiriços Brasileiros e Uruguaios - cujos instrumentos de
ratificação foram trocados pelos Chanceleres Celso Amorim e
Didier Opertti em Jaguarão-Rio Branco em 14.04.2004 - marca uma
nova etapa na integração fronteiriça ao estimular a cidadania
binacional na região, promovendo a equiparação de brasileiros e
uruguaios em ambos os lados da fronteira. Traduz, dessa forma, a
visão pragmática e abrangente da integração desejada pelo
Brasil, que não se limita aos aspectos econômicos e comerciais
mas envolve igualmente uma dimensão humana e social.
A
cooperação energética é outra importante vertente do
relacionamento bilateral. Em março de 2004, quando o Uruguai
experimentou grave crise no setor provocada por acentuada
redução na disponibilidade de gás e eletricidade, o país
beneficiou-se do fornecimento, em caráter emergencial, de
energia brasileira. No momento, encontra-se em estudo projeto
para a construção de uma linha de transmissão elétrica entre
Garabi e Salto Grande, iniciativa de grande impacto no processo
de integração física da região.
A participação brasileira e
uruguaia na Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (MINUSTAH)
foi um ponto marcante. O Governo brasileiro atribui grande
relevância ao envolvimento do Uruguai na MINUSTAH, não apenas
pela reconhecida experiência das tropas uruguaias em missões da
ONU, mas também pelo significado político de que se reveste. O
Brasil tem defendido a crescente coordenação regional em matéria
de segurança e, no caso do Haiti, é altamente emblemática a
participação dos países latino-americanos, em particular do
Mercosul.
VENEZUELA
Desde a posse do Presidente Lula, em janeiro de 2003, o
Presidente Hugo Chávez fez cinco visitas ao Brasil. A primeira
visita do Presidente venezuelano deu-se por ocasião da cerimônia
de posse do novo mandatário brasileiro.
A segunda, também em Brasília, em
18 de janeiro de 2003, realizou-se logo após a criação do Grupo
de Países Amigos do Secretário-Geral da OEA para a Venezuela
(Brasil, Chile, Espanha, Estados Unidos, México e Portugal),
instituído por iniciativa brasileira.
Em sua terceira visita ao Brasil,
em 2003, Chávez foi a Porto Alegre, onde participou, em 26 de
janeiro, do III Fórum Social Mundial.
Em 25 de abril de 2003, Chávez
fez sua quarta visita, quando manteve, em Recife, encontro
bilateral com o Presidente Lula. Na ocasião, assinaram a “Ata de
Recife”, na qual afirmaram a intenção de coordenar posições,
junto com os demais países sul-americanos, na OMC e no processo
de conformação da ALCA; reafirmaram a ênfase compartilhada na
integração entre os dois países, em particular quanto à
Iniciativa para a Integração da Infra-Estrutura Regional
Sul-Americana – IIRSA, o interesse na participação da iniciativa
privada na busca de fontes de financiamento para a
infra-estrutura, na cooperação PETROBRÁS-PDVSA e no incremento
do comércio bilateral. Na oportunidade, os Presidentes das duas
empresas firmaram Protocolo de Intenções, que amplia o escopo da
cooperação energética entre os dois países.
Em
sua quinta visita ao Brasil, desde a posse do Presidente Lula,
Chávez participou do III Encontro Empresarial Brasil-Venezuela,
realizado em Manaus, em 15 de setembro de 2004. Pela manhã, os
dois mandatários encerraram o encontro empresarial
Brasil-Venezuela e à tarde inauguraram a II Feira Internacional
da Amazônia – II FIAM. Esta foi a primeira visita do Presidente
Hugo Chávez ao Brasil após a realização, em 15 de agosto de
2004, do referendo revogatório que confirmou sua permanência
como Chefe de Estado da Venezuela. Das conversações mantidas,
registrem-se o interesse da Petrobras e da PDVSA em ampliar suas
operações em ambos os países, e a reativação da Comissão
Binacional de Alto Nível Brasil-Venezuela (COBAN), mecanismo
presidido pelos Chanceleres dos dois países. Na ocasião, o
Presidente Chávez confirmou o apoio da Venezuela a que o Brasil
venha a integrar o Conselho de Segurança das Nações Unidas como
membro permanente.
Em 26 de agosto de 2003, o
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez sua primeira visita
oficial à Venezuela (Caracas e Puerto Ordaz). Os Presidentes
realizaram um balanço dos compromissos assumidos na “Ata de
Recife”, e reiteraram a prioridade atribuída pelos dois Governos
ao combate à pobreza e à exclusão social. Congratularam-se pela
assinatura do Acordo Geral entre a Petrobras e a PDVSA em julho
daquele ano, e pela assinatura do Acordo entre o BNDES e o
Governo venezuelano, que prevê linha de crédito de um bilhão de
dólares a projetos de infra-estrutura considerados prioritários.
Ambos os mandatários reiteraram, na oportunidade, a vigência da
Comissão Binacional de Alto Nível (COBAN).
Em 27 de fevereiro de 2004, o
Presidente Lula compareceu à abertura da XII Reunião de Cúpula
do G-15, em Caracas. Na oportunidade, manteve encontros com os
Presidentes Chávez e Kirchner.
O Presidente Chávez tem
manifestado gratidão ao Governo brasileiro pelo esforço
realizado, no âmbito do Grupo dos Países Amigos para a
Venezuela, que resultou no acordo político celebrado entre o
governo e oposição venezuelanos. Ao manter postura isenta e
construtiva, apelar ao diálogo e à conciliação e apoiar saída
constitucional, democrática, pacífica e eleitoral para a crise
venezuelana, o Grupo, coordenado pelo Brasil, mereceu
referências elogiosas, tanto do governo, quanto da oposição
venezuelana e da comunidade internacional.
COLÔMBIA
A convite do Presidente Lula, o Presidente Álvaro Uribe
deslocou-se a Brasília, em 7 de março de 2003, em visita de
trabalho, acompanhado de seis Ministros de Estado.
Durante a visita, o Presidente Lula reiterou a
condenação do Brasil aos atos terroristas praticados na
Colômbia. Ambos mandatários decidiram revitalizar a Comissão de
Vizinhança Brasileiro-Colombiana, a qual se reuniu em de outubro
de 2003 sob a presidência brasileira.
Em junho de 2003, o Presidente
Luiz Inácio Lula da Silva participou em Medellín, como convidado
especial, da XIV Reunião do Conselho Presidencial Andino. O
convite colombiano constituiu gesto de especial consideração e
amizade para com o Brasil, tendo sido essa a primeira vez em que
um Chefe de Estado de país não andino tomou parte naquele foro.
Em
16 de setembro de 2003, o Presidente Lula encontrou-se com o
Presidente Uribe em Cartagena, por ocasião das comemorações do
40o. aniversário da Organização Internacional do
Café. Os Presidentes trataram de temas bilaterais e de
assuntos relativos à integração comercial regional e à
integração física da América do Sul.
Os Presidentes do Brasil e da
Colômbia mantiveram vários encontros ao longo de 2004: por
ocasião da Cúpula de Monterrey, em janeiro; durante a
Macro-Rodada de Negócios Bilateral, em 21 e 22 de junho, em São
Paulo, que reuniu expressivo número de empresários dos dois
países; na XVIII Reunião de Cúpula do Grupo do Rio, em
05/11/2004; durante a Cúpula de Presidentes Sul-Americanos,
realizada em Cusco, nos dias 8 e 9 de dezembro.
PERU
O Presidente do Peru, Alejandro Toledo Manrique, compareceu à
posse do Presidente Lula. Na ocasião, os dois mandatários
mantiveram audiência privada, quando lançaram os fundamentos da
aliança estratégica entre os dois países.
O Presidente Toledo, acompanhado
do Primeiro Vice-Presidente e de nove membros de seu Gabinete,
visitou o Brasil em 11 de abril de 2003. Nos encontros mantidos,
destacou-se a necessidade de promover a interconexão física,
através da IIRSA, o intercâmbio comercial, os investimentos, o
turismo, o desenvolvimento sustentável, o combate ao
narcotráfico e a luta contra a pobreza. Foi assinado acordo para
a construção da ponte Assis Brasil-Iñapari. Expressou-se a
urgência em avançar no processo de negociação de uma zona de
livre comércio entre a Comunidade Andina e o Mercosul, assim
como subscrever um acordo de livre comércio entre o Mercosul e o
Peru.
O Presidente Lula viajou ao Peru
para participar da XVII Cúpula do Grupo do Rio, realizada na
cidade de Cusco, de 22 a 24 de maio de 2003.
Nos dias 24 e 25 de agosto de 2003, o Presidente
Lula, acompanhado de Ministros de Estado e de Governadores da
região Norte, realizou visita ao Peru.
Os
dois Presidentes divulgaram Declaração Conjunta, reafirmando a
decisão de continuar avançando na construção de uma aliança
estratégica entre o Peru e o Brasil. Durante a visita, foram
assinados o Acordo de Livre Comércio entre o Peru e o Mercosul,
o Memorando de Entendimento sobre Integração Física e Econômica,
um novo Tratado de Extradição e o Acordo sobre Transferência de
Presos. Quanto à IIRSA, os Presidentes decidiram iniciar a
execução dos Eixos do Amazonas, Transoceânico Central e
Interoceânico do Sul. Os mandatários instruíram, ainda, as
autoridades competentes dos dois países a iniciarem tratativas
com vistas a criar postos integrados de controle de fronteira;
incentivar o intercâmbio cultural; eliminar a exigência de
passaportes para as viagens de seus nacionais entre os dois
países; e desenvolver atividades nas áreas alfandegárias e de
combate ao contrabando, cooperação no investimento privado e
transferência tecnológica, entre outras.
Atendendo ao convite do
Presidente Lula, os Presidentes da Bolívia, Carlos Mesa, e do
Peru, Alejandro Toledo, visitaram o Estado do Acre, em 11 de
agosto de 2004, para participar das cerimônias de inauguração da
ponte que liga o Brasil à Bolívia, entre as cidades de Brasiléia
e Cobija, e de lançamento da pedra fundamental da ponte ligando
o Brasil ao Peru, entre as cidades de Assis Brasil e Iñapari.
Os Presidentes do Brasil e do
Peru reuniram-se no dia 5 de novembro de 2004, por ocasião da
XVIII Cúpula do Grupo do Rio, para tratar de assuntos relativos
à integração física e acordar o financiamento do PROEX para dar
início à construção da rodovia interoceânica. Os Presidentes
voltaram a reunir-se em Cusco, no Peru, no dia 8 de dezembro de
2004, à margem da III Reunião de Presidentes da América do Sul;
anunciaram a concretização do acordo para a construção da
rodovia interoceânica e a assinatura de Memorando de
Entendimento entre o Governo do Peru e a CAF (Corporación Andina
de Fomento) para o financiamento complementar das obras;
decidiram formar um Grupo de Trabalho Ad Hoc, encarregado de
elaborar plano de desenvolvimento econômico e social para a zona
que se encontra sob a influência da estrada. Por último, os
Presidentes manifestaram sua satisfação com a decisão do Governo
do Peru de executar o trecho da rodovia Tarapoto-Yurimaguas, no
eixo viário do Amazonas.
Bolívia
O ex-Presidente da Bolívia, Gonzalo Sánchez de Lozada,
acompanhado de membros de seu Gabinete ministerial, realizou
visita a Brasília, em 28 de abril de 2003. Na ocasião, o
Presidente boliviano declarou apoio a que o Brasil integre o
Conselho de Segurança na qualidade de membro permanente. Os
Presidentes Lula e Sánchez de Lozada reiteraram a prioridade
atribuída à integração sul-americana, na vertente
econômico-comercial e na de infra-estrutura, em particular na
integração energética e do comércio de gás. Confirmaram o
propósito de concluir as obras de ligação rodoviária, regional e
binacional, com possível financiamento do BNDES e da CAF.
Durante a visita, foi assinado o Acordo Bilateral para a
Restituição de Veículos Roubados ou Furtados entre os dois
países.
O novo Presidente da Bolívia,
Carlos Mesa, visitou o Brasil em 18 de novembro de 2003, pouco
depois de haver assumido o cargo. Foram assinados um memorando
de entendimento na área de comércio e investimentos, além de
sete ajustes complementares ao Acordo Básico de Cooperação
Técnica, Científica e Tecnológica entre Brasil e Bolívia.
O Presidente Luiz Inácio Lula da
Silva realizou visita a Santa Cruz de la Sierra no dia 8 de
julho de 2004. Durante a visita, anunciou-se o cancelamento da
dívida boliviana de US$ 52 milhões para com o Brasil. Os
Presidentes trataram do financiamento para obras de integração
física, acesso recíproco a portos e aeroportos, melhoria das
condições de vida das populações das cidades fronteiriças e
regularização da situação migratória de bolivianos no Brasil.
Manifestaram, também, interesse em implementar projeto de
construção de um pólo gás-químico na região fronteiriça, próximo
às cidades de Corumbá e Puerto Suárez, e projeto de cooperação
tecnológica na área de gás natural, que prevê a instalação de um
Centro de Tecnologias do Gás na Bolívia. Foram assinados os
seguintes acordos: Acordo sobre Facilidades para o Ingresso e
Trânsito de seus Nacionais em seus Territórios; Acordo para a
permissão de residência, estudo e trabalho a nacionais
fronteiriços brasileiros e bolivianos; e Acordo Quadro entre o
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social da
República Federativa do Brasil e o Ministério da Fazenda da
Bolívia.
EQUADOR
O Presidente Luiz
Inácio Lula da Silva visitou o Equador em 15 e
16 de janeiro de 2003,
por ocasião da Cerimônia de
Posse do Presidente Lucio Gutiérrez. Na ocasião,
o Brasil propôs a criação do Grupo de Amigos do Secretário-Geral
da OEA para encaminhar a situação política na Venezuela. No
plano bilateral, o
Presidente Lula mencionou a importância de alguns
projetos que contam com participação brasileira, tais como a
hidrelétrica de São Francisco e os canais de irrigação de Manabi
(ambos a cargo da Odebrecht), e as oitenta e sete plantas de
tratamento de água da empresa EMEM. O Presidente Gutiérrez
ressaltou a importância para o Equador da construção de vias de
transportes que assegurem a implementação do eixo Manta-Manaus,
bem como a ampliação da rodovia Quito-Guaiaquil.
O Presidente Lucio Gutiérrez
visitou o Brasil em 27 de maio de 2003. Foram assinados durante
a visita: (a) Memorando de Entendimento sobre Políticas Sociais
no Âmbito do Programa de Cooperação Técnica; (b) Ajuste
Complementar ao Acordo Básico de Cooperação Técnica para a
Implantação do Projeto "Fortalecimento da Capacidade de Resposta
do Programa de Prevenção e Controle de Doenças Sexualmente
Transmissíveis, Vírus de Deficiência Imunológica Humana e
Síndrome de Imunodeficiência Adquirida (DST/HIV/AIDS) do
Equador"; (c) Protocolo de Intenções na Área de Educação; e (d)
Protocolo de Intenções na Área de Distribuição de Benefícios
Sociais com uso de Cartão Magnético.
O
Presidente Luiz Inácio
Lula da Silva visitou o Equador em 24 e 25 de agosto de 2004. A
visita contribuiu
para elevar o patamar das relações bilaterais. Foram firmados
acordos de cooperação nas áreas de saúde, energia e
telecomunicações. Avançou-se, ademais, nos entendimentos com
vistas a garantir o financiamento de bens e serviços destinados
a projetos de infra-estrutura considerados prioritários pelos
dois Governos.
GUIANA
O Presidente da Guiana, Bharrat Jagdeo, visitou o Brasil em 30
de julho de 2003. Na ocasião, foram repassados temas das
relações bilaterais, com ênfase na questão da infra-estrutura
viária. O Presidente Jagdeo declarou apoio ao ingresso do Brasil
no Conselho de Segurança das Nações Unidas como membro
permanente. Foi assinado acordo de isenção parcial de vistos, em
passaportes de nacionais dos dois países.
Em
17 de novembro de 2003,
realizou-se nova visita do
Presidente Bharrat Jagdeo ao Brasil. Foram
assinados dois protocolos adicionais que permitiram a
plena vigência do Acordo Bilateral
de Preferência Tarifárias Fixas, firmado em 2001.
SURINAME
O Presidente do Suriname, Runaldo Ronald Venetiaan visitou o
Brasil em 22 de julho de 2003,
acompanhado dos Ministros das Relações Exteriores, Finanças,
Obras Públicas, Saúde, Educação e Desenvolvimento Comunitário,
Justiça e Polícia, Transportes, Comunicações e Turismo. Foram
tratados temas das agendas bilateral, regional e internacional,
com ênfase em projetos de cooperação, temas consulares, comércio
bilateral e as negociações comerciais regionais e hemisféricas.
O Presidente
Venetiaan manifestou apoio ao ingresso do Brasil no Conselho de
Segurança das Nações Unidas como membro permanente.
MERCOSUL
Um dos elementos centrais da política externa do Governo Lula é
o papel do Mercosul na conformação da América do Sul como área
de desenvolvimento com justiça social, paz e estabilidade
democrática. Nessa perspectiva, o Brasil desempenhou, no biênio
2003-2004, papel fundamental para o fortalecimento do Mercosul,
mostrando-se disposto a introduzir elementos de tratamento
assimétrico no Bloco em resposta às dificuldades apresentadas
pelos sócios menores para participar plenamente do processo de
integração. Essa posição implicou a aceitação, em caráter
temporário, de exceções nos prazos e nas disciplinas do processo
de integração, com uma visão de longo prazo sobre a importância
da adoção dessa linha de conduta para o fortalecimento do
processo como um todo.
Com base em proposta apresentada
pelo Brasil em junho de 2003, o Mercosul aprovou Programa de
Trabalho para 2004-2006, que vem sendo implementado de forma
satisfatória. O Programa está esboçado em torno das idéias de
ampliar as dimensões política e cidadã do Mercosul, completar a
União Aduaneira, avançar nas bases para o Mercado Comum e
iniciar nova agenda de integração em torno da integração
produtiva e do desenvolvimento tecnológico
Ainda no âmbito das iniciativas
voltadas para o fortalecimento do Mercosul, foi criada em 2003 a
Comissão de Monitoramento do Comércio Bilateral
Brasil-Argentina, que se reúne mensalmente e tem tido atuação
decisiva para encaminhar soluções para as dificuldades que
afetam o comércio bilateral em setores específicos.
O Governo Lula promoveu, de forma
incisiva, negociações para a conclusão de importantes
instrumentos de fortalecimento da União Aduaneira, como o
Protocolo de Compras Governamentais, que cria um espaço
preferencial aos sócios do Mercosul nos contratos públicos e
elimina reservas de mercado; a IV Rodada Negociadora em comércio
de serviços, que procurou eliminar restrições de acesso a
mercados em serviços prestados pelos nossos sócios; e a
Regulamentação do Protocolo de Olivos sobre Solução de
Controvérsias, que aperfeiçoou o sistema de solução de
contenciosos comerciais no Mercosul, ao criar o Tribunal
Permanente de Revisão, com sede em Assunção.
No tocante à dimensão social do
Mercosul, o Brasil tem atuado decisivamente para a entrada em
vigor de normas que trazem benefícios diretos aos cidadãos, como
o Acordo de Residência de Nacionais, que permitirá que qualquer
brasileiro possa fixar residência nos países do Mercosul, sem
emprego prévio assegurado. O Brasil favorece, ademais, a pronta
entrada em vigor do Acordo sobre Previdência Social do Mercosul,
que estende os benefícios da previdência social aos cidadãos dos
Estados Partes, aumentando a solidariedade regional.
Para a consolidação do Mercosul,
o objetivo é alcançar as metas do Governo brasileiro e aquelas
previstas no Programa de Trabalho do Mercosul 2004-2006, todas
cumpridas a contento até dezembro de 2004. O Brasil tem dado,
também, especial atenção ao relacionamento político com os
governos da Argentina, Paraguai e Uruguai, com vistas a
fortalecer o ambiente negociador com nossos parceiros do bloco,
o que se reflete não apenas no cumprimento das metas internas do
Mercosul, mas também nos bons resultados das negociações do
Mercosul com terceiros países e regiões, como é o caso da
Comunidade Andina (CAN), da Índia e da SACU (União Aduaneira
Sul-africana)
MERCOSUL-COMUNIDADE ANDINA (CAN)
O Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e a Colômbia, o
Equador e a Venezuela (ACE-59), países membros da Comunidade
Andina de Nações (CAN), foi assinado em 16 de dezembro de 2003 e
protocolizado durante a XIII Reunião do Conselho de Ministros da
ALADI (Montevidéu, 18/10/04). A celebração do Acordo ocorreu
após oito anos de negociações. Os três países andinos
mencionados tornaram-se Estados Associados do Mercosul durante a
XXVII Reunião do Conselho do Mercado Comum (Belo Horizonte, 15 e
16/12/04).
Esse Acordo cumpriu o mandato
previsto no Acordo-Quadro Mercosul-Comunidade Andina, de
06/12/02, que permitia a negociação, em formato flexível, de um
acordo de livre comércio entre os membros dos dois blocos. Outro
instrumento assinado no âmbito do referido Acordo-Quadro foi o
Acordo de Livre Comércio Mercosul-Peru (25/08/03).
A conclusão do Acordo de Livre
Comércio Mercosul-Colômbia, Equador e Venezuela constitui passo
histórico e significativo para a conformação de um espaço
sul-americano de integração. A liberalização do comércio criará
as condições para o incremento substancial do comércio, a
integração das cadeias produtivas, a maior utilização dos
insumos regionais e ganhos em competitividade para as empresas
da região com o aumento da escala de mercado.
Por esse instrumento, convergiram
os
dois principais blocos da América do Sul, etapa fundamental para
a conformação de um espaço econômico integrado de dimensão
continental. Com os acordos já existentes entre Mercosul e
Bolívia e Mercosul e Peru, igualmente membros da CAN, e o Chile,
consolida-se uma aliança econômica que abrange uma população de
aproximadamente 350 milhões de habitantes e um PIB de mais de
US$ 1 trilhão.
Dez dos doze países
sul-americanos já estão, portanto, ligados por acordos de livre
comércio. Estão sendo traçados os parâmetros de uma Comunidade
Sul-Americana de Nações, a qual foi lançada na III Cúpula
Presidencial Sul Americana, realizada em Cusco, em 08 de
dezembro de 2004. Conforme expressado no Comunicado Conjunto dos
Presidentes dos Estados Partes do Mercosul e dos Estados
Associados (Declaração de Ouro Preto), de 17/12/04, a Comunidade
deverá ser fundamentada na intensificação do diálogo político e
fortalecimento da democracia, na integração da infra-estrutura
de transportes, energia e comunicações, e na convergência dos
processos de integração econômica e comercial na região.
MERCOSUL-PERU
O Acordo-Quadro Mercosul-Comunidade Andina, de 06/12/02, que
permitiu a negociação, em formato flexível, de um acordo de
livre comércio entre os membros dos dois blocos, ensejou
negociações entre o Mercosul e Colômbia, Equador e Venezuela,
bem como entre a União Aduaneira e o Peru. Nesse contexto, o
Governo peruano, já em janeiro de 2003,
indicou interesse em negociar com o Mercosul.
Essas negociações culminaram na
assinatura do Acordo de Livre Comércio MERCOSUL-Peru (ACE-58),
em Lima, em 25/08/03, durante a visita oficial do Presidente
Lula ao Peru.
O Peru pleiteou, em seguida, tornar-se Estado
Associado ao MERCOSUL, o que foi formalizado pela Decisão nº
39/03 da XV Reunião do Conselho Mercado Comum (Montevidéu,
16/12/2003).
MERCOSUL-CHILE
Entre o Mercosul e o Chile, existe o Acordo de Complementação
Econômica Nº 35 (ACE-35). No âmbito desse instrumento, a maior
parte do comércio entre o Mercosul e o Chile passou a gozar dos
benefícios do livre comércio em 1º de janeiro de 2004. O ACE-35
poderá ser ampliado mediante a negociação de novos temas.
F oram iniciadas conversações entre as Partes do
Acordo sobre a definição de parâmetros negociadores sobre
serviços.
O 21º Protocolo Adicional ao ACE-35
(Regime Definitivo de Solução de Controvérsias) foi incorporado
ao ordenamento jurídico brasileiro por meio do Decreto
Legislativo nº 606, de 11 de setembro de 2003. A aprovação do
protocolo demonstra o firme compromisso do Brasil com o
aperfeiçoamento institucional do ACE-35.
Com a incorporação, pelo Uruguai,
ao seu ordenamento jurídico, em 08/09/2004, do 21º Protocolo
Adicional ao ACE-35, completaram-se os pré-requisitos para a
entrada em vigor do referido instrumento jurídico, que institui
o regime de solução de controvérsias.
MERCOSUL-BOLÍVIA
A integração entre o Mercosul e a Bolívia tem sido conduzida sob
o Acordo de Complementação Econômica Nº 36 (ACE-36).
Os produtos constantes do
cronograma geral de desgravação do ACE-36 atualmente recebem
margem de preferência de 80%, passando a 90% em 2005 e atingindo
o livre comércio em 1º de janeiro de 2006.
Na VI Reunião Ordinária da
Comissão Administradora do ACE-36 (Cochabamba, 25 e 26/03/04),
foi aprovada a concessão unilateral, pelo Mercosul, de
desgravação tarifária total para cerca de 120 itens de interesse
exportador boliviano, os quais ainda não gozavam de margem de
preferência de 100% no âmbito do Acordo. Essa concessão
respondeu à solicitação apresentada pela Bolívia à margem da
Cúpula Ibero-Americana de Santa Cruz de la Sierra, em novembro
de 2003.
Durante a VII Reunião Ordinária
da Comissão Administradora do ACE-36 (Montevidéu, 14 e
15/10/04), foi aprovado
Acordo sobre Facilitação de Comércio mediante o Estabelecimento
de Áreas de Controle Integrado nas Fronteiras. Ademais, o
Mercosul apresentou proposta sobre aceleração linear dos
cronogramas de desgravação tarifária, levando em
consideração as assimetrias referentes à Bolívia.
INTEGRAÇÃO FÍSICA
Nos dois primeiros anos do Governo Lula, dentro da prioridade
atribuída à América do Sul, conferiu-se grande ênfase à
integração da infra-estrutura física do Continente, como
instrumento para facilitar e aumentar fluxos comerciais, bem
como impulsionar o desenvolvimento regional. Tem sido
dada atenção
prioritária à promoção, através do BNDES e do PROEX, da
participação brasileira em obras de infra-estrutura nos países
vizinhos.
Nesse contexto,
em
agosto de 2003, o BNDES e a CAF realizaram seminário no Rio de
Janeiro no qual os países sul-americanos apresentaram 23
projetos de infra-estrutura. O BNDES e a CAF consideraram
posteriormente que oito deles estariam em condições para
estruturação de esquema de financiamento.
As principais obras de infra-estrutura na América
do Sul com financiamento brasileiro já concedido ou em
negociação são: Estrada Roboré – Puerto Suarez (Bolívia);
Termelétricas e Construção do Pólo Gás-Químico (Bolívia);
Rodovia Interoceânica (Brasil –Peru); Ponte Assis Brasil –
Iñapari (Brasil Peru); Hidrelétrica San Francisco (Equador);
Rodovia Quito – Guayaquil (Equador), Novo Aeroporto
Internacional de Quito (Equador); Segunda e Terceira Pontes
sobre o Rio Orinoco (Brasil-Venezuela); Linha 4 do metrô de
Caracas (Venezuela); Metrô Los Teques (Venezuela); Segunda
Ponte sobre o Rio Paraná (Paraguai), Expansão da Rodovia 10
(Paraguai); Duplicação da Auto-Estrada do Mercosul
(Brasil-Argentina); Terceira Ponte sobre o Rio Uruguai
(Brasil-Argentina);
Segunda Ponte sobre o Rio Jaguarão (Uruguai); Hidrovia do Rio
Meta (Colômbia).
O Governo brasileiro tem-se
empenhado também na maior efetividade da Iniciativa para a
Integração da Infra-estrutura Regional Sul-americana (IIRSA).
Nos últimos dois anos foram concentrados esforços para a
conclusão da primeira fase de planejamento territorial e
identificação de eixos estratégicos de integração viária e
corredores bioceânicos. O esforço culminou na aprovação, em
novembro último, de uma “Agenda de Implementação Consensuada
2005-2010”, constituída por uma primeiro conjunto de 31 projetos
de integração, que deverão receber tratamento prioritário pelos
países e pelas agências financiadoras.
A integração de infra-estrutura
de transportes, energia e comunicações é um dos objetivos
centrais da Comunidade Sul-americana de Nações, que terá sua 1ª
Reunião de Chefes de Estado no Brasil, no segundo semestre de
2005.
COMUNIDADE SUL-AMERICANA DE
NAÇÕES
A Comunidade Sul-Americana de Nações – CASA, foi conformada
durante a III Reunião de Presidentes da América do Sul,
realizada em Cusco, dia 8 de dezembro de 2004. A iniciativa
consolidou-se nos seguidos encontros entre os Presidentes
sul-americanos. A Ata de Copacabana, firmada entre os
Presidentes Lula e Kirchner no dia 16 de março de 2004, afirmou
que “a partir do aprofundamento das relações entre o MERCOSUL e
a CAN, se buscará a construção de uma Comunidade Sul-Americana
de Nações”. O Conselho do Mercado Comum (CMC), por meio da
Decisão 21/04 adotada em Puerto Iguazú, decidiu fortalecer a
vinculação entre os dois blocos, mediante a institucionalização
do diálogo político, e convidou o Chile a participar deste
processo.
A Comunidade Sul-americana de
Nações desenvolver-se-á através do impulso aos seguintes
processos: a) concertação e coordenação política; b)
aprofundamento da convergência entre o Mercosul, a CAN e o Chile
e a associação da Guiana e Suriname a esse processo; c)
integração da infra-estrutura de transportes, energia e
comunicações com base no aprofundamento das experiências
regionais, subregionais e bilaterais existentes; d) iniciativas
de desenvolvimento rural; e) transferência de tecnologia e
cooperação nas áreas de ciência, educação e cultura; e f)
interação entre empresas e a sociedade civil.
Quanto ao quadro institucional, a
CASA se estabelecerá progressivamente sobre a base da
institucionalidade existente, sem superposição de esforços e
novos gastos financeiros.
A primeira reunião de Chefes de
Estado deverá ser no Brasil, no segundo semestre de 2005. A
segunda reunião deverá ser na Bolívia, em 2006. Caberá aos
Presidentes, nessas reuniões, definir as grandes diretrizes
estratégicas para a construção da Comunidade e para seu
relacionamento com outros países ou grupos de países.
A Declaração de Cusco
estabeleceu, ainda, que os Chanceleres “elaborarão uma proposta
concreta de cursos de ação que considere, entre outros aspectos,
as reuniões de Chefes de Estado, como instância máxima de
condução política, e de Chanceleres, como âmbito de decisão
executiva do processo. Os Ministros contarão com a cooperação do
Presidente do Comitê de Representantes Permanentes do MERCOSUL,
do Diretor da Secretaria do MERCOSUL, do Secretário-Geral da
Comunidade Andina, do Secretário-Geral da ALADI, da Secretaria
Permanente da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica,
assim como de outros esquemas de cooperação e integração
regional”.
INSTALAÇÃO DA OTCA EM BRASÍLIA
O Governo Lula atribui especial importância às atividades da
Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), organismo
internacional sediado em Brasília. O Acordo Sede entre o Governo
do Brasil e a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica foi
assinado em 13 de dezembro de 2002. Na mesma data, realizou-se a
primeira reunião da Comissão de Coordenação do Conselho de
Cooperação Amazônica, quando o Brasil colocou à disposição da
Secretaria Permanente (SP-OTCA) instalações provisórias para o
efetivo funcionamento da Organização. Os primeiros esforços da
Secretaria da OTCA destinaram-se a construir um enfoque político
que permitisse à Organização definir suas ações e estabelecer
sinergias entre os diversos atores, privados e públicos,
responsáveis pela consecução do desenvolvimento sustentável da
região amazônica.
Dada a magnitude do desafio que
representa o desenvolvimento sustentável da região amazônica, a
SP-OTCA realizou uma ativa gestão junto a organismos
internacionais e agências de cooperação de países amigos,
visando dar continuidade à mobilização de recursos
internacionais para o financiamento das ações conjuntas
definidas pelos Países Partes, comprometendo a cooperação
técnica e financeira dos mesmos para a execução de importantes
projetos de interesse regional.
Outra tarefa realizada nesse
período foi a adequação funcional da SP-OTCA. Para tanto, foram
realizadas diferentes atividades para dotar a recém-nascida
organização de uma estrutura administrativa e operacional que,
por um lado, garantisse os princípios de transparência, eficácia
e eficiência que os governos dos Países Partes esperam da
Secretaria Permanente e, por outro lado, respondesse à crescente
necessidade de gerenciar atividades e projetos regionais em seu
âmbito de atuação.
Registre-se a realização, nos
dias 13 e 14 de setembro de 2004, no Palácio Rio Negro, em
Manaus, da XII Reunião do Conselho de Coordenação Amazônica e da
VIII Reunião de chanceleres. Na ocasião, foram aprovados o
relatório de gestão da Secretária-Geral da OTCA, a equatoriana
Rosalía Arteaga, que assumiu suas funções em 05 de maio de 2004,
o Plano Estratégico da Organização para o período 2004-2012,
projetos de resolução e a Declaração de Manaus.
área de livre
comércio das américas (alca)
No início de 2003, as negociações da ALCA apresentavam grandes
desequilíbrios, tanto no plano das diferenças estruturais entre
os 34 países da região quanto em aspectos específicos
relacionados ao processo negociador em si. Os países mais ricos
defendiam o estabelecimento de normativas que iriam além das
regras da OMC em áreas como serviços, investimentos, compras
governamentais e propriedade intelectual. Ao mesmo tempo,
recusavam-se a aceitar regulamentação em áreas como antidumping
e agricultura e buscavam consolidar barreiras para produtos
agrícolas e para alguns manufaturados como calçados, têxteis e
aço. Essas divergências refletiam-se na existência de cerca de
sete mil colchetes na minuta de acordo da ALCA.
Além disso, os EUA passaram a
bilateralizar as negociações. Passaram a negociar acordos de
livre comércio com vários países e grupos de países do
Hemisfério (Chile, América Central, República Dominicana,
Panamá, Colômbia, Peru e Equador). Apresentaram ofertas
diferenciadas de acesso a mercado, tendo o MERCOSUL recebido
oferta insatisfatória.
Com o objetivo de buscar superar
os impasses no processo negociador, o MERCOSUL, por iniciativa
brasileira, apresentou proposta de reestruturação da agenda
negociadora. Pela proposta, os temas da agenda da ALCA seriam
repartidos em três “trilhos” negociadores: o primeiro trilho
abarcava negociações bilaterais sobre acesso a mercados; o
segundo se referia aos temas a serem incluídos no acordo da ALCA,
como tratamento diferenciado, solução de controvérsias,
subsídios à exportação, participação da sociedade civil; o
terceiro trilho englobava temas que deveriam permanecer em
discussão na OMC, tais como regras sobre serviços, subsídios
domésticos, antidumping, propriedade intelectual.
Na reunião ministerial de Miami
(novembro de 2003), foi possível reequilibrar as negociações e
incorporar o conceito de flexibilidade. A Declaração de Miami,
em seu parágrafo 7, reconhece que "os países poderão assumir
diferentes níveis de compromissos" e estabelece que deverá ser
criado "um conjunto comum e equilibrado de direitos e obrigações
aplicáveis a todos os países". Ao mesmo tempo, permite que "os
países, que assim o decidam, possam, no âmbito da ALCA, acordar
benefícios e obrigações adicionais".
A resistência brasileira em
negociar regras hemisféricas nas áreas de serviços, propriedade
intelectual, investimentos e compras governamentais resulta da
necessidade de preservar sua capacidade de implementar políticas
de desenvolvimento industrial, econômico e social. As políticas
relativas a medicamentos genéricos e saúde pública poderiam, por
exemplo, ser comprometidas, caso o País aceitasse compromissos
profundos em propriedade intelectual. Não faria sentido o
MERCOSUL defender a eliminação dos subsídios agrícolas
distorcivos na OMC e aceitar que o acordo da ALCA não preveja
disposições sobre o assunto. O MERCOSUL tampouco pode aceitar a
aplicação do mecanismo de solução de controvérsias a propriedade
intelectual e o recurso a retaliações cruzadas pelo alegado
descumprimento de normativas sobre aplicação da legislação (“enforcement”).
Em cumprimento ao mandato da
Reunião Ministerial de Miami, tentou-se, no primeiro semestre de
2004, definir um conjunto de direitos e obrigações aplicáveis
aos 34 países do hemisfério. Houve avanços em várias áreas, como
serviços, solução de controvérsias e tratamento diferenciado
para países em desenvolvimento, mas não foi possível consenso
sobre todo o texto.
As negociações têm sido
dificultadas pela posição dos EUA, sobretudo em dois temas: a)
propriedade intelectual, em que os norte-americanos insistem na
inclusão de obrigações adicionais àquelas já previstas no Acordo
da OMC sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual
Relacionados com o Comércio (Acordo TRIPS) e tencionam fazer uso
de retaliações cruzadas para garantir a observância de
legislação nacional sobre propriedade intelectual; e b) recusa
dos EUA em conceder efetivo acesso a mercados para nossos
produtos agrícolas, por meio da eliminação das barreiras
tarifárias e não-tarifárias incidentes sobre as exportações
agrícolas do MERCOSUL, bem como pela eliminação dos subsídios à
exportação e da compensação dos efeitos distorcivos das medidas
de apoio interno.
O Mercosul propôs aos EUA que,
paralelamente às negociações dos textos da ALCA, fossem
iniciadas negociações de acesso a mercados, como ocorria nas
negociações com a União Européia. O MERCOSUL deparou-se, porém,
com a relutância norte-americana em avançar nesse processo. Em
função, igualmente, do calendário eleitoral nos EUA, as
negociações foram suspensas.
Em 2003 e 2004, houve um
crescente envolvimento da sociedade civil nas negociações da
ALCA e seus representantes passaram, inclusive, a fazer parte da
delegação oficial brasileira (Reunião Ministerial de Miami –
Novembro 2003; Comitê de Negociações Comerciais da ALCA - Puebla,
fevereiro de 2004). A iniciativa do Brasil de incluir
parlamentares, empresários, sindicalistas e outros
representantes da sociedade civil na delegação gerou protestos
de alguns países, que argumentavam que apenas representantes dos
Governos deveriam integrar as delegações. O Brasil ponderou que
não cabia a outros países definirem quem poderia ou não fazer
parte da delegação brasileira e esta posição foi aceita. O
Brasil tem buscado, também, aumentar o nível de transparência
nas negociações da ALCA. Ao divulgar, pela INTERNET, a oferta do
MERCOSUL, o Brasil provocou protestos por parte de alguns
países, que alegavam a necessidade de manter as negociações sob
sigilo.
Para o Brasil, a prioridade nessa
negociação é a obtenção de benefícios concretos e não apenas o
cumprimento de prazos formais. O Brasil tem feito grandes
esforços, conjuntamente com os sócios do Mercosul, para avançar
de forma equilibrada nas negociações da ALCA.
Os EUA, na qualidade de
Co-Presidente das negociações da ALCA, juntamente com o Brasil,
indicaram interesse em retomar as negociações da ALCA em 2005.
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